Aulas on-line: a adaptação do estudante com necessidades especiais

26 de junho de 2020


A rotina escolar mudou. Mesmo após o fim da pandemia, o “novo normal” certamente trará consigo muito mais espaço para a tecnologia dentro da sala de aula. Por hora, entretanto, as aulas on-line se configuram como única opção para que os jovens prossigam com seus estudos. A modalidade representou muitos desafios para os professores, principalmente nas primeiras semanas – diversos questionamentos sobre metodologia e procedimentos surgiram, e um deles se mostra bastante contundente: como fica, afinal, a adaptação do estudante com necessidades especiais em meio ao modelo de ensino remoto imposto pela COVID-19?

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Pontos a serem considerados

Tanto no modelo tradicional quanto no on-line, crianças e jovens com necessidades especiais possuem os mesmos direitos de acesso à educação do que qualquer outro indivíduo. Acontece, entretanto, que muitas escolas não tiveram tempo de adaptação com recursos digitais antes de que a pandemia nos pegasse de surpresa, o que representa desafios na busca por metodologias e abordagens com os educandos – que são amplificados quando pensamos nos estudantes com necessidades especiais.

“Que tipo de atividade devo passar?”, “o quanto eu devo cobrar?”, “será que ele vai acompanhar e desenvolver as habilidades necessárias?”. Essas e muitas outras perguntas devem passar na sua cabeça – e na de muitos outros profissionais da educação.

Acontece que, em primeiro lugar, o professor deve olhar para essa situação e enxergar, antes das dúvidas, os pontos positivos para, só então, traçar uma estratégia eficaz.

Pode parecer estranho falar em pontos positivos, mas existem, de fato, alguns fatores que podem tornar o ensino para estudantes com necessidades especiais um pouco mais agradável e até mesmo proveitoso.

O primeiro deles é a diminuição considerável da mobilidade. Tanto para estudantes com mobilidade reduzida ou com visão prejudicada, o fato de não precisar se deslocar até a escola pode aproximar o jovem do ensino – isso porque não precisará enfrentar desafios diários, como pouca acessibilidade nas ruas e calçadas ou com poucos ônibus adaptados, no caso do transporte público.

Estudar na própria casa também representa não sair de um ambiente já conhecido e seguro. Crianças e jovens com espectro autista, por exemplo, ou que apresentem algum tipo de deficiência intelectual tendem a se sentir mais à vontade no ambiente familiar. Por vezes, até mesmo a sala de aula compartilhada com outros estudantes, pode representar um complicador para eles – que não existe na aula on-line.

Um terceiro fator favorável para o estudante com necessidades especiais é a flexibilização de horários que o ensino on-line proporciona. Naturalmente, aulas síncronas existirão, fazendo com que tanto professores e estudantes interajam numa sala de aula virtual. Entretanto, o uso da internet e de diversos outros recursos tecnológicos aplicado à educação proporcionam uma aplicação mais intensa de metodologias ativas que permitem que o estudante realize suas pesquisas, desenvolvendo suas competências e habilidades, no horário mais propício. Isso pode colaborar para que o jovem com necessidades especiais distribua as horas de estudo da forma com que seja mais confortável para si e para seus familiares.

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Famílias e professores em prol do estudante com necessidades especiais

Elencados os pontos positivos, é momento de, a partir deles, nos debruçarmos sobre os desafios, identificando quais os pontos que podem ser melhorados, adaptados ou que requerem uma atenção especial.

A primeira ação, e talvez a mais primordial delas, é a aproximação entre professor e família. Isso é essencial para que o docente e a instituição de ensino consigam mensurar a evolução do estudante com necessidades especiais, o que é a base para o desenvolvimento das futuras atividades e propostas.

O apoio da família é imprescindível. Aqui no blog da Editora, nós já incentivamos o uso do Whatsapp, por exemplo, como ferramenta para diminuir a distância entre escola e famílias, por meio da criação de grupos de cada turma. No caso do estudante com necessidades especiais, um contato ainda mais pessoal pode cair como uma luva – então, não hesite em conversar diretamente (no “privado”) com os familiares e, se possível, com o próprio estudante – essa troca de experiências cria a sensação de pertencimento e estimula que ambas as partes trabalhem juntas em prol do estudante.

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É importante que o professor também incentive e fique de olho no apoio diário que a família oferece ao estudante. A depender do tipo de deficiência, a presença de um adulto que o auxilie no uso do smartphone, computador ou tablet é indispensável. Pedir para que a família retorne com fotos e vídeos do dia a dia dos estudos em casa, por vezes, pode ser uma estratégia útil para mensurar essa realidade, além de também servir como base para as próximas propostas.

Outro fator que o professor deve ficar atento é na acessibilidade das atividades. Por exemplo: existem diversos apps e outros recursos de acessibilidade digital que leem o conteúdo das telas de smartphones ou até mesmo de sistemas operacionais inteiros (como a Central de Acessibilidade da Microsoft, no caso do Windows) para crianças e jovens com cegueira ou baixa visão. É preciso, então, ter isso em mente. Páginas de livros escaneadas, por exemplo, com diversos elementos num único documento (imagens, infográficos e outros recursos gráficos) podem ser um complicador se considerarmos apps que lêem o conteúdo de documentos. Em outras palavras: menos é mais. Ir direto ao ponto de maneira clara e objetiva, utilizando apenas os recursos realmente necessários é fundamental para não errar na hora de elaborar sua atividade.

Por fim, mas não menos importante, a rede de contatos entre professores é indiscutivelmente uma das melhores formas de mensurar seu trabalho. Nos contatos do dia a dia, mais do que conversar, trocamos experiências e saberes, aprendemos novas abordagens, estratégias e metodologias (e ensinamos, também) que, por vezes, fazem toda a diferença no nosso dia a dia como professores. Converse, contate, discuta, partilhe suas ideias. É na comunicação que nasce a educação, na qual confiamos nossas expectativas de mudar para melhor a realidade de milhares de estudantes Brasil afora.

Fontes:
10 vantagens da EAD para alunos com necessidades especiais
Educação a distancia e necessidades especiais: a inclusão pela tecnologia