Brincar e aprender funciona para adolescentes?

26 de agosto de 2022


O brincar e aprender é muito referenciado na Educação Infantil, mas pode ser adaptado para os segmentos de alunos mais velhos e com efetividade? A resposta é sim, nunca é tarde demais para brincar.

Claro que os benefícios para crianças são especialmente significativos para seu bem-estar mental, físico e formação plena, entretanto, para o adolescente, cujo cérebro ainda está em desenvolvimento e em meio a torrenciais crises hormonais, brincar ganha contornos extraordinários.  


Por que? A ciência explica!

Uma das maneiras pelas quais o cérebro responde a experiências importantes da vida é por meio de um neurotransmissor chamado dopamina, que está envolvido na forma como processamos as recompensas e também é importante para a aprendizagem e motivação.

Quando estamos diante de uma recompensa inesperada, há uma dose extra de dopamina. Assim, pensando no cérebro adolescente, em sua fase mais turbulenta, toda vez que ele faz algo novo, assumindo um “risco”, o aumento da dopamina é liberado e o cérebro emite um alerta de que a atividade é nova e merece atenção. 

Como os cérebros dos adolescentes liberam mais dopamina em comparação com crianças ou adultos, eles são mais sensíveis à recompensa e aos bons sentimentos que vêm de novas experiências. O que tende a tornar os jovens mais interessados ​​em explorar e dá muito poder ao brincar e aprender

Aliás, ao falar de brincar podemos pensar em três categorias principais: 

  • Jogo social: jovens brincando com colegas ou adultos;
  • Jogo independente: quando brincam sozinhos, por exemplo, escrevendo ou jogando algo individual;
  • Jogo guiado: uma brincadeira proposta dentro de um contexto estabelecido pelos adultos e que pode acontecer na escola.

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Qual a importância do brincar para os adolescentes?  

Os adolescentes estão em um lugar entre a infância e a idade adulta, embora a ideia de “brincar” possa ser totalmente diferente da de uma criança, ainda há muitos benefícios em permitir essa diversão dentro e fora da sala de aula, como:

  • Fomentar o pensamento criativo;
  • A resolução de problemas;
  • A independência e a perseverança;
  • Desenvolvimento intelectual, social, emocional e físico.

Quer um exemplo de brincadeiras para jovens dentro da sala de aula?

Por exemplo, a aula de Matemática é muitas vezes um lugar em que os modos tradicionais de aprendizagem criam passividade e colaboram com a falta de motivação nos alunos. Criar algum tipo de brincadeira, como um desafio de resolução de problemas pode ajudar a incorporar a ludicidade da brincar e aprender, propor um desafio, gerar engajamento e uma competição saudável.

Quando pensamos especialmente nos alunos do Ensino Médio — que estão sob uma grande pressão com o vestibular e as futuras escolhas de vida, e por isso escolhem se retirar das interações sociais para focar exclusivamente no futuro — a brincadeira é um alívio necessário que evitaria um colapso. 

As interações lúdicas podem aumentar as habilidades sociais e a confiança e, assim, ajudar na melhor regulação emocional e habilidades de enfrentamento. Simples jogos de tabuleiro já são capazes de trazer mudanças, já que costumam ser bem estruturados e permitir expectativas claras nas interações sociais.

À medida que cada vez mais nosso mundo se torna digital, propor momentos onde o brincar a aprender despretensiosamente é mais curativo do que possamos supor e vale se permitir sempre!

Revista arco43 - 7 Edição