Como abordar a mobilidade urbana em sala de aula?

16 de dezembro de 2022


Você já considerou abordar a mobilidade urbana em sala de aula? O tema (um dos mais importantes e desafiadores da atualidade), já vem de um histórico urgente de debates, porém, ganhou endosso nos últimos dois anos devido às imprevisibilidades que o mundo enfrentou.

Neste contexto, o ano de 2020 foi, sem sombra de dúvidas, um divisor de águas. A pandemia de Covid-19 abalou o mundo, mudando nossa rotina em diversos aspectos. Com o distanciamento social, um dos mais drásticos foi a impossibilidade de ir e vir pelas cidades. 

Ficar em casa, lembrou a todos da importância para o físico e a mente de se locomover, de preferência em cidades inteligentes, onde o planejamento urbano seja ambientalmente amigável e seguro, e os espaços públicos são idealizados para serem  realmente experienciados.

 

O que é mobilidade urbana e por que é importante construir cidades melhores?

O termo é abrangente, mas pode ser sintetizado nas discussões a respeito da facilidade e velocidade com que pessoas, bens e serviços se movimentam em áreas urbanas. 

Assim, a definição se refere a todos os aspectos do movimento e meios de transporte, como se movimentar em uma caminhada, no ciclismo e até no transporte público nas áreas urbanas. Seja para atividades de trabalho ou  lazer.

Também é um fator crítico à sustentabilidade global e tem efeito na qualidade de vida nas cidades, já que com o mundo atingindo oito bilhões de pessoas, há novos desafios que afetarão a forma como se projeta e constrói o espaço urbano. 

Quanto mais pessoas se locomovendo sem carros, melhores serão as cidades para o meio ambiente, para a saúde pública e até para a saúde mental de suas populações.

O futuro da mobilidade urbana é a redução de carros, o incentivo ao maior uso do transporte público e a oferta de sistemas alternativos de mobilidade. Mas as tendências não são apenas sobre carros elétricos ou autônomos, também dispõe sobre o uso de energia e dos materiais usados para construir casas, escolas e assim por diante.

Por que é importante abordar a mobilidade urbana em sala de aula?

Tudo começa na escola. Educar transforma o mundo e só assim teremos uma geração futura cada vez mais consciente. Ou seja, cumprindo seu papel nato, a escola deve participar na educação de novos hábitos de mobilidade de hoje e de amanhã.

A mobilidade urbana em sala de aula vai da teoria até a prática, quando os educadores implementam atividades que visam promover a saúde dos estudantes por meio da sua movimentação. Além de implementar uma cultura que promova a sociabilidade e a autonomia.

É ensinar sobre a importância das cidades investirem em transporte seguro e sustentável, valorizar o caminhar, ciclismo e a redução da dependência do carro para melhorar a saúde urbana.

O desafio da mobilidade urbana no Brasil

O Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil) e a Fundação Bernard van Leer (Fundação BVLF), para entender a relação entre a mobilidade urbana e como ela se relaciona com o desenvolvimento e a qualidade de vida na primeira infância, realizou um estudo no município de Recife entre 2019 e 2020, intitulado  “Primeiros passos: mobilidade urbana na primeira infância”.

Apesar de ser recortado em uma região, o estudo tem muito a ensinar sobre a mobilidade urbana no Brasil. Entre seus principais resultados, ele apontou que a forma como crianças pequenas se deslocam nas cidades afeta seu desenvolvimento.

“As experiências e vivências diárias das crianças nos espaços onde habitam e circulam têm grande impacto, particularmente, naquelas com até 3 anos de idade. Nesta fase, os cuidadores possuem papel central em suas vidas, sendo os principais responsáveis pelo acompanhamento de atividades rotineiras. A qualidade do espaço urbano e dos modos de transporte que garantem a realização dessas atividades impactam positivamente ou negativamente o comportamento e bem-estar dos cuidadores, o que, por consequência, pode afetar o desenvolvimento dos bebês e das crianças pequenas”, diz o documento. 

Os cuidadores chegaram a relatar que caminhar pelo bairro era como participar de uma corrida com obstáculos, devido às condições das ruas e disputas com carros e comércios ambulantes. Já andar de ônibus, significava adequar suas rotinas e se programar com antecedência. 

Mas os deslocamentos complexos não foram relatados como inibidores apenas as idas à escola ou outras tarefas rotineiras, também impactam no acesso ao lazer. E como crescer se sentindo pertencente a um local que parece não querer que você exista nele?

É nesse ponto que a mobilidade urbana na sala de aula deve frisar: pertencimento. Para que as crianças e jovens cresçam não só sabendo que têm lugar para existir, como também para pensar, racionalizar, agir e exigir um mundo acolhedor.