Dia do Pedagogo: como melhorar a produtividade na hora das aulas on-line

20 de maio de 2020


O mundo dos negócios, fazendo-se valer das facilidades tecnológicas, já considerou por muito tempo o trabalho em regime home office. Uma rápida pesquisa pelo Google e é possível encontrar dicas de como trabalhar em casa, como montar seu escritório particular e tantas outras sugestões. O avanço da pandemia do novo Coronavírus, por outro lado, fez este conceito, tratado antes como uma possibilidade, ser visto como única alternativa para a continuação das atividades de inúmeros setores da sociedade em meio à quarentena instaurada no mundo todo. Assim, professores, com ou sem familiaridade com o mundo digital, viram-se obrigados a dar aulas on-line, imersos em tecnologia.

Os desafios de lecionar on-line

A docência, entretanto, acaba sendo encarada como um tipo à parte do conceito de apenas trabalhar em casa – dar aulas on-line requer o cumprimento de grade horária, a interação direta com diversos estudantes, além de outras atividades que vão além da aula em si – tudo isso, por vezes, sem que o professor nem ao menos precise sair do próprio quarto, sala ou escritório dentro de casa.

Dessa forma, não é à toa que se tornou muito comum ouvirmos professores comentando que estão trabalhando muito mais em casa do que nas escolas em si, relatando situações de esgotamento e cansaço extremo. Como isso seria possível, se a carga horária é, à priori, a mesma?

Para Vinícius Lins, professor de Linguística e Literatura no Ensino Médio do Colégio Passionista São Paulo da Cruz (São Paulo/SP), a resposta para essa questão não está, naturalmente, no trabalho em si – mas na sua divisão: “antes, você tinha atividades a cumprir na escola, como dar aula, participar de reuniões, preencher diários, e aquelas fora dela, como preparar aulas e corrigir atividades. Havia também um ritual a ser cumprido, de acordar, tomar café, sair de casa, se deslocar até o trabalho, etc. Agora tudo ficou concentrado em um lugar só. Você acorda e já está no seu ambiente de trabalho, o que traz um certo esgotamento, como se nunca parasse de trabalhar”, comenta.

Produtividade e rotina

A produtividade do professor está, assim como a de qualquer profissional, intimamente ligada à sua rotina. O trabalho remoto possibilita situações tentadoras – como passar o dia inteiro num pijama confortável, ou produzindo ao som de uma música agradável, que, no caso de quem precisa dar aulas on-line, pode não ser tão positivo. O ambiente físico da escola faz com que docentes e gestão escolar organizem suas demandas dentro de um espaço de tempo específico, com locais próprios para cada atividade, possibilitando a criação da rotina.

É preciso, dessa forma, que, mais do que se preparar pedagogicamente, identificando as melhores ferramentas digitais e soluções tecnológicas para suas aulas, que o professor recrie com maior fidelidade possível sua rotina dentro da própria casa – e a gestão escolar é parte fundamental do processo.

Para ajudar professores, diretores e coordenadores, a Editora do Brasil separou algumas dicas para você conseguir organizar seu dia a dia no trabalho, evitando a sensação de esgotamento físico e emocional. Vem conferir!

1. Respeite os horários

Respeitar os horários é o primeiro passo para manter uma rotina saudável de aulas on-line – e, talvez, a ação que demande mais esforço de todas as partes envolvidas. O colégio Passionista São Paulo da Cruz compreendeu a necessidade de apoiar os docentes quando o assunto é carga horária, o que foi percebido por Vinícius. “A escola frisa muito que os professores mantenham os horários antigos para evitar a sobrecarga. No meu caso, o incentivo são das aulas pelas manhãs, preparação à tarde, e sempre respeitando os horários de descanso”, comenta.

Fixar horários de descanso e o momento certo de parar é essencial para que o professor não se veja nesse papel por mais do que o necessário – ninguém é profissional 24 horas por dia. Fazer uma pausa equivalente aos intervalos na escola e simplesmente se desconectar quando a carga horária é atingida não é sinônimo de ser um profissional ruim. E isso é válido, também, para a gestão escolar. De nada adianta incentivar que os professores estabeleçam horários para que sejam finalizadas discussões em WhatsApp com os estudantes, por exemplo, se a própria gestão encher a caixa de entrada de e-mail do docente fora do horário de trabalho. Lembre-se: você está em casa, e também precisar de tempo para si não é errado.

2. Entre no clima

“Não foi o trabalho que mudou, foi a disposição dele”, relembra Vinícius. Desde que acordamos e nos preparamos para nos deslocar entre nossas casas e a sala de aula, já estamos dentro do clima da rotina de trabalho. Algumas ações propostas pelas escolas podem ajudar o professor a criar tal rotina, como sugerir que encontre um espaço fixo dentro de casa que contribua com as condições das aulas, principalmente ao vivo. No caso de Vinícius, o simples uso do uniforme durante o horário de atendimento já o ajuda a “entrar no clima”.

3. Saiba se desconectar

“Uma coisa muito simples que ajudou foi colocar despertadores para lembrar a hora de parar”, conta o professor. Tanto alarmes entre as atribuições (trocas de turmas, hora de começar e terminar o planejamento, por exemplo), até no próprio momento de literalmente finalizar o dia e parar de trabalhar. Segundo ele, há um movimento apoiado pelo Passionista São Paulo da Cruz de sempre respeitar pausas e momentos de descanso e, principalmente, de se desconectar e desligar o celular na hora certa “principalmente dos estudantes, que acabam mandando mensagens fora do horário, às vezes até de madrugada”.

4. Entenda o momento e a adaptação dos conteúdos

Todas as ações sugeridas até aqui são de comum esforço entre a instituição de ensino e o próprio professor, individualmente. Entender a situação que está imposta sobre todos nós é parte essencial para o processo de adaptação de uma rotina de dar aulas on-line. Portanto, é preciso, depois que já se conseguiu criar uma rotina, encarar os conteúdos que a turma deve ter acesso e mensurá-lo de acordo com o momento em que estamos vivendo. Todas as suas dificuldades, enquanto professor, podem ser bem similares às de um estudante, por exemplo. Dessa forma, adaptar os conteúdos para o modelo digital, entendendo a situação atípica que estamos vivendo é importante para tornar suas aulas on-line mais produtivas.

Na visão do professor de Linguística do Passionista São Paulo da Cruz, “não dá para gravar uma aula com duração de 1hora com matéria e mais matéria sem considerar as dificuldades de concentração típicas dos jovens e o estado emocional dos mesmos: estamos de quarentena, o motivo é sério, não dá para agir como se nada estivesse acontecendo. Encontrar este equilíbrio ajuda na produção do material, que deve ter qualidade, relevância, e principalmente: ser leve, gostoso de fazer”.

A IMPORTÂNCIA DO APOIO EMOCIONAL AOS ESTUDANTES EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL

5. Compartilhe o que deu ou não certo

Vinícius relembra que todas as ações do colégio em que leciona são possíveis graças à uma equipe dedicada e ao apoio da própria instituição: “a escola tem dado bastante suporte aos professores. E, para nossa sorte, contamos com uma equipe de Tecnologia dez, muito solícita”, comenta.

É natural que esse processo de transição entre presencial e digital é fruto de aprendizado e dedicação. Ninguém nasce sabendo, e está tudo bem que até mesmos os professores, acostumados a ensinar, “trocarem de função” e passarem a aprender sobre essa nova realidade. Por isso mesmo,a troca de experiências entre docentes é uma ação extremamente rica – desde o ponto de vista pedagógico à organização do dia a dia em casa. “[No colégio] testamos aqui e ali até encontrarmos o modelo ideal. Nosso grupo do WhatsApp não para. É tentativa, erro e acerto, até chegar lá. Isso demanda paciência de todos os envolvidos no processo pedagógico, mas com calma, tudo se resolve”, finaliza. Assim, não é esperado que do dia para a noite exista um modelo definitivo de dar aulas on-line, mas que seja construído em parceria, em contato direto entre professores, gestão, e até mesmo com o feedback dos estudantes, ampliando o leque de possibilidades e tornando a rotina de aprendizado e ensino mais leve, contínua e, principalmente, eficiente.

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