Gestão democrática na escola

22 de janeiro de 2021


A gestão democrática na escola é um caminho para tornar as instituições mais abertas ao diálogo. Pode ajudar na criação de vínculos com a comunidade e aproximar educadores, famílias e sociedade no processo de ensino. Além disso, o gerenciamento eficaz libera talentos e distribui lideranças, aumenta o conforto de todos com o espaço e cultiva uma cultura colaborativa na sala de aula. Fomentando, assim, adultos mais preparados para o mundo real.

No Brasil, a ideia de uma escola democrática tomou corpo a partir da segunda metade da década de 1980 com o processo de redemocratização do país. Foi a partir daí que, uma década depois, nasceu a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Esta, até então, tinha 11 princípios fundamentais (passou a ter 13 a partir da Lei nº 12.796/13 e Lei nº 13.632, de 2018), entre eles:

  • I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
  • II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
  • III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
  • IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância;
  • V – coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
  • VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
  • VII – valorização do profissional da educação escolar;
  • VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino;
  • IX – garantia de padrão de qualidade;
  • X – valorização da experiência extra-escolar;
  • XI – vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais;
  • XII – consideração com a diversidade étnico-racial;
  • XIII – garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.   

Ou seja, a gestão democrática na escola e seus princípios já estavam em pauta no texto da LDB. Passados mais de vinte anos da criação do documento, ainda há certa dificuldade em pensar essa temática na prática. Considerando que a escola é o principal núcleo de socialização das crianças e jovens e um espaço formador, para pensar uma sociedade democrática essa vivência deve partir da escola também, mas como?

Diversidade na escola

Gestão democrática nas salas de aula 

Imagine uma escola onde crianças e adolescentes realmente praticam, em vez de apenas lerem, sobre os princípios democráticos. Que melhor treinamento do que este para prepará-los para a cidadania? Quando as diferentes vozes sociais, famílias, comunidade, jovens, adultos, professores e funcionários são trazidas para a escola, organizadas e vivenciadas, a gestão democrática  está em prática.

Uma grande parte de seu exercício se dá na criação de uma cultura que garanta que os estudantes entendam como muitos dos problemas do mundo externo impactam as suas próprias vidas. Questões de raça, classe, gênero, sexualidade e afins impactam a todos. Por isso, é importante quando os jovens estão tendo dificuldades ou agindo de maneira errada dentro da classe, garantir que o educador não apenas reaja ao comportamento, mas também, responda com compaixão e escuta ativa.

Com as muitas responsabilidades do dia a dia, os professores, às vezes, podem deixar de olhar para sua turma através de uma lente de carência, o que coloca a culpa do mau comportamento sobre eles ou sobre falhas de caráter dos jovens. Um educador equitativo deve ser sensível ao ambiente da sala de aula e como isso afeta certos estudantes. Também deve entender que muitos estão lidando com questões sérias fora da escola. Esta é uma problemática de longo prazo e não se resolve em qualquer aula, mas nunca é demais puxar um discente de lado para oferecer apoio e uma chance de ter uma conversa sobre o comportamento que você está testemunhando. Só assim se chega ao cerne da questão para aquele indivíduo.

Educação positiva

Lições culturalmente relevantes e envolventes

Por fim, uma das melhores estratégias de gestão democrática da sala de aula é oferecer aos estudantes práticas de aprendizagem que sejam culturalmente relevantes, envolventes, academicamente desafiadoras e divertidas. Se todos se virem no que estão aprendendo, poderão facilmente fazer conexões e ver a importância do porquê estão aprendendo sobre isso. Essa parte pode ser desafiadora em um currículo definido, porém, também pode ser a parte divertida, ao tentar descobrir como encaixar novas maneiras de ver essa estrutura.

Trazer novidades para sua sala de aula e tentar ensinar de maneiras que não sejam confortáveis ​​para o próprio educador é um desafio de mão dupla! Pois, a gestão democrática requer um processo de experimentação, construção de relacionamentos e atendimento às necessidades exclusivas de cada classe que você ensina, baseando-se sempre nos princípios de equidade e justiça.

Fonte: A gestão escolar democrática ainda é um desafio para os educadores?; Gestão democrática: Escola como lugar para aprender a ouvir e a se colocar no lugar do outro; LDB.