O significado da amizade na escola pós-pandemia?

27 de julho de 2021


O início do segundo semestre do ano letivo de 2021, em algumas capitais brasileiras, vai coincidir com a retomada das atividades presenciais. Os estudantes devem retornar, mas a pandemia ainda estará na sala de aula – figurativamente. As consequências da mudança repentina para um ambiente virtual vão desde a perda de aprendizagem, lacunas de desempenho até o comprometimento do desenvolvimento social, bem-estar emocional e saúde física entre os alunos – e serão muito evidentes. Nesse contexto, a amizade na escola ganhará especial relevância.

 O valor de uma amizade na escola

O tempo de tela tem suas vantagens, é claro, e o impacto na educação sem a capacidade de aproveitar a tecnologia seria inimaginável. Mas a oportunidade de apenas estarmos juntos, criando memórias compartilhadas e piadas internas, aprendendo sobre e com os outros, é algo que só a escola pode oferecer e nenhum mundo online substituirá. Os amigos são muito importantes para a identidade das crianças e jovens em formação, são parte do senso de quem eles são.

Se tem uma coisa que a pandemia de Covid-19 mostrou é como as amizades enriquecem nossas vidas. Mas, como reintegrar e ressocializar os estudantes após meses de distância e perdendo amizades na escola? Como reconectá-los depois de tanto tempo separados fisicamente por uma grande calamidade? Que preocupações eles terão porque a pandemia os impediu de ir à escola indefinidamente?

À medida que voltamos ao “normal”, é fundamental retomar as atividades que são essenciais para a socialização dos alunos. 

Pense o “novo normal”

As experiências de cada um com a pandemia são muito variadas. Alguns, apesar das restrições, se sentiram seguros e, principalmente, aproveitaram o tempo. Para outros, foi um desafio ou mesmo um trauma. Escolas e professores estão acostumados a apoiar seus estudantes nos desafios que enfrentam na vida, porém, a situação atual vai amplificar esses desafios. Seria ingenuidade pensar que os discentes retomarão ao presencial exatamente no mesmo ponto em que deixaram no dia em que a escola fechou, lá em março de 2020. 

Muita coisa aconteceu até aqui. Por isso, é preciso valorizar o poder da amizade na escola, ouvir o que as crianças e adolescentes têm a dizer e checar o que estão experimentando. Quando efetivamente retornarem à escola, será necessário que haja um currículo pensado para a recuperação. De repente, as rotinas diárias evaporaram e, com elas, qualquer estrutura curricular conhecida. Por isso, a partir de agora, para a maioria das crianças, a meta diária de ir à escola é não apenas aprender, mas ver os amigos e ter um senso de autoestima que apenas um grupo pode oferecer. 

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Será um grande risco subestimar o impacto da perda dessa interação social e o valor de uma amizade. Os seres humanos são criaturas fundamentalmente sociais e o cérebro cresce no contexto da interação significativa entre sujeitos iguais. Todos os nossos alunos precisarão de uma recuperação: alguns podem precisar de um programa de intervenção focado, personalizado de acordo com suas necessidades; outros de um período de recuperação mais profundo e duradouro.