Por que criar atividades para Educação Infantil sobre a cultura afro-brasileira?

30 de julho de 2021


Os adultos às vezes perguntam: preconceito, discriminação e anti-preconceito não são questões dos adultos? Por que trazer crianças para a discussão? Tanto escolas como famílias têm um papel importante a desempenhar na promoção das identidades raciais positivas das crianças desde pequenas, ao simplesmente falar sobre isso. Nesse caminho, escolher e aplicar boas atividades para Educação Infantil sobre a cultura afro-brasileira torna-se uma ótima oportunidade de ensinar com intenção, honrando tradições e mostrando aos estudantes sua importância, junto à importância da história e da cultura negra no país. 

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Qual o poder de mudança de uma educação antirracista?

As crianças assimilam o que seus pais e professores dizem (e não dizem), e o que veem na TV, as características de seus brinquedos e aprendem ao observar como as outras pessoas são tratadas em suas escolas e vizinhanças. É nos primeiros anos de vida, ao serem bombardeadas por mensagens do ambiente no qual vivem, que moldam suas crenças e julgamentos sobre outras pessoas – sejam positivos ou negativos, inclusive no que diz respeito à raça. Mesmo os bebês têm habilidades perceptivas para discernir diferenças físicas e reagir a elas. 

Segundo uma pesquisa liderada por psicólogos da Universidade de Toronto, entre os seis e 12 meses de idade, os bebês começam a mostrar preferências por membros de seus próprios grupos raciais. Aos sete meses, em situações incertas, são mais propensos a seguir o olhar de um membro de sua própria raça. Aos nove meses, associam rostos de sua própria raça a músicas alegres e aqueles de outros grupos raciais a músicas tristes. Os pesquisadores sugeriram que esses padrões podem se desenvolver como resultado da falta de exposição a indivíduos de outras raças durante a infância e que tais associações implícitas podem abrir caminho para o desenvolvimento de outros preconceitos raciais, na primeira infância e além.

Ou seja, uma educação antirracista desde tenra idade tem o poder de mudar isso. Inserir atividades para Educação Infantil sobre a cultura afro-brasileira é um dos caminhos para trazer a diversidade e criar condições para conversas naturais, pelas quais as crianças entendam conceitos de raça, diversidade, equidade, racismo, intolerância e afins. A conscientização é sempre um bom começo. 

Atividades para Educação Infantil sobre a cultura afro-brasileira: envolvimento e identificação 

A criação de um rico ambiente de aprendizagem sem preconceitos, fundada em uma educação antirracista, prepara o palco para discussões e atividades sobre diferenças raciais e outras diferenças e semelhanças físicas. Quanto mais rico o ambiente, maior a probabilidade das crianças fazerem perguntas, mesmo em salas de aula onde os funcionários e as crianças têm origens raciais semelhantes.

É sempre uma boa ideia, ao promover atividades para Educação Infantil sobre a cultura afro-brasileira, dar visibilidade às grandes personalidades negras que fizeram e fazem parte da nossa história e promover discussões sobre suas trajetórias. Mesmo os pequeninos têm opiniões e são instigados pela própria curiosidade. Envolva as crianças na ação em grupo. É fortalecedor quando ajudamos as crianças a transformar algo que é “injusto” em algo “justo”. Às vezes, isso envolve lidar com o conflito pessoal, ajudando uma criança a falar em nome de outra criança. Mas é especialmente poderoso quando as crianças agem juntas.

Uma dica é conferir o material gratuito do Ministério da Educação (MEC), feito em parceira com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar): “História e cultura africana e afro-brasileira na Educação Infantil”. Nele há propostas precisas para se trabalhar com os pequenos. Além disso, a Editora do Brasil também tem títulos especiais para indicar: Que cabelo é esse, Bela?; Pretinho, Meu Boneco Querido e Jeito de Ser são algumas das obras que vão render ótimos aprendizados em sua sala de aula. Vale conferir!