Progressão escolar: repetir ou não os estudantes?

4 de dezembro de 2020


Durante este ano, nem todos os estudantes tiveram acesso a educação por meio do ensino remoto. A desigualdade de acesso a conexão à internet, seja por meio de celulares ou computadores, e outras questões impediram muitas crianças e jovens de acompanhar as atividades online durante a pandemia. Diante dessa desigualdade, como fica a progressão escolar? É certo reprovar ou aprovar a todos automaticamente?

A rede estadual de ensino de São Paulo, sobre esse assunto, decidiu que os discentes precisarão entregar um número mínimo de atividades exigidas pela escola para serem aprovados em 2020. Caso não entreguem, poderão repetir o mesmo ciclo. A Secretaria de Educação também desenvolveu o conceito de “ciclo de aprendizagem 2020-2021”, que define que todo o aprendizado previsto para esses dois anos seja avaliado de maneira única ao final de 2021. Porém, para os jovens do 3º ano do Ensino Médio foi criado o 4º ano, mas este é opcional.

Progressão escolar: alunos não podem reprovar em 2020? 

Até o momento, não existe norma do Ministério da Educação (MEC) sobre o assunto. Mas, há um parecer do Conselho Nacional da Educação (CNE), que recomenda a flexibilização da progressão escolar, indica rever os métodos de avaliação e adotar medidas que “minimizem a retenção”. 

Entretanto, a decisão cabe a cada escola ou rede de ensino pública ou particular. Em suma, a ideia de que os alunos não podem reprovar em 2020 é, de certa forma, errônea. A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), representante das instituições privadas, diz que a determinação deve ser “da escola, analisando as atividades não presenciais, a qualidade dos resultados e, principalmente, o desenvolvimento de habilidades”. 

Nesse sentido, em reportagem ao G1, especialistas em educação, pedagogos, secretários de redes estaduais e coordenadores de colégios particulares do país apontaram cinco sugestões para pensar a progressão escolar neste período tão atípico:

  • Aprovar todos os estudantes;
  • Permitir a reprovação apenas nas escolas particulares, onde houve acesso ao ensino remoto;
  • Cancelar o ano letivo das escolas públicas e reprovar todos os discentes, para dar oportunidade de aprenderem de fato em 2021;
  • Juntar os anos letivos de 2020 e 2021, pensando em reprovação só no fim do biênio;
  • Avaliar cada caso individualmente.

O futuro dos jovens está em risco?

Ainda em São Paulo, o próximo ano letivo deverá começar em 1º de fevereiro e uma avaliação diagnóstica será aplicada logo no início das aulas com o intuito de medir o que foi aprendido. A Secretaria trabalha com a possibilidade de aulas 100% presenciais no próximo ano. No estado, cerca de 1,4 mil escolas já estão abertas para a realização de atividades presenciais atualmente. 

Por ora, a respeito da progressão escolar ou estrutura das aulas, nenhuma decisão parece definitiva. Entretanto, o ano letivo de 2021, seja presencial, remoto ou híbrido, trará muitos desafios às escolas e educadores. Repetir os estudantes, principalmente os do Ensino Médio, tem reflexo direto no aumento da evasão escolar. A longo prazo, as consequências podem ser sentidas em um ciclo vicioso. Os jovens abandonam os estudos, inserem-se cedo demais no mercado de trabalho, com formação incompleta e só chegam a subempregos ou em condições informais. 

Ainda assim, não dá para fingir que foi um ano normal e que todos estão no mesmo patamar de aprendizagem. Caso haja aprovação ou reprovação geral nas escolas públicas, é certo que os estudantes enfrentarão uma grande defasagem perante os colegas de instituições privadas, com reflexos alcançado até as suas futuras vidas universitárias. 

Fonte: SP: Aluno que não entregar mínimo de atividades será reprovado em 2020.