Ser professor no Brasil: ensinar é sobre muito mais do que amor

Ser professor no Brasil: ensinar é sobre muito mais do que amor

Ser professor no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo não é uma tarefa fácil. Costuma-se se dizer que ensinar é uma profissão do amor, mas esse pensamento parece relegar os educadores a um local de inspiração, que apaga a luta diária de se manterem ativos e evoluindo. É necessária e urgente uma valorização renovada da profissão.

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Apesar de serem profissionais intrinsecamente ligados à evolução da sociedade, nunca  os professores foram tão necessários como são hoje. Com as interrupções causadas pela pandemia de Covid-19, foi-lhes confiado o papel crucial da manutenção da continuidade da aprendizagem e sustentação da própria dinâmica de seus lares, famílias e comunidades. O desafio de ser professor no Brasil, neste momento, veio acompanhado da exigência de respostas educacionais, não apenas garantindo que o ensino e a educação  pudessem acontecer, apesar do fechamento das escolas, mas também apoiando o bem-estar socioemocional dos alunos.

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Como resultado, os pais, as comunidades e os sistemas educacionais passaram a renovar e reconhecer a necessária valorização  dos professores e de sua função vital. Por sua vez, os docentes tiveram de lidar com mais pressão e a saúde mental ficou em cheque. Não são raros, aliás, os casos de profissionais que relatam as crises de stress e até mesmo o diagnóstico de Síndrome de Burnout. A pandemia também destacou grandes desafios para a profissão, vide:

  • A falta de oportunidades de desenvolvimento profissional; 
  • Aumento da carga de trabalho;
  • Novas funções e pressões;
  • Falta de reconhecimento financeiro adequado e por aí vai. 

Escolher ser professor carece de incentivos

Embora os professores e outros agentes da educação devam ser priorizados como trabalhadores da linha de frente, as condições de trabalho, o apoio e o financiamento geral nem sempre condizem com a necessidade. Nessa realidade, ser professor no Brasil, muitas vezes, não é uma carreira atraente para os melhores alunos que ingressam no ensino superior. Para se ter uma ideia, em 2018 se atestou que apenas 2,4% dos jovens  querem ser professores.

Neste mês, quando se comemora o Dia do Professor, é necessário reconhecer as contribuições destes profissionais e destacar que ensinar deve receber mais incentivos do que amor. Essa incrível responsabilidade que eles têm em garantir que todas as crianças e jovens em todos os lugares possam desfrutar do direito à educação, deve ser valorizada em todos os âmbitos. 

Para a fase de recuperação pós-pandemia, é essencial incluí-los como agentes-chave na construção de sistemas educacionais mais adaptativos e resilientes. No que se refere ao desenvolvimento profissional, apoiá-los a melhorar sua prática e adquirir as habilidades para usar as tecnologias educacionais, apoiar a aprendizagem e adaptar o conteúdo e as práticas de ensino a uma diversidade de alunos. Esses são só alguns elementos que precisam ser incorporados à formação de professores para que os novos profissionais estejam melhor preparados para crises futuras.

Ser professor precisa significar ter condições de trabalho saudáveis, seguras e propícias, livres de preconceito e discriminação, bem como receber medidas de segurança, jornada de trabalho decente, remuneração justa e oportunidades de desenvolvimento de carreira. Isso irá promover o status da profissão e melhorar o recrutamento, retenção, motivação e, em última análise, o aprendizado e o bem-estar dos estudantes.

Revista Arco 43