Alfabetização e letramento na Educação Infantil em períodos de aulas remotas

14 de julho de 2020


O processo de alfabetização e letramento na Educação Infantil é uma etapa rica e cheia de interações. Quem é professor sabe que não existe um ponto de virada onde esse processo começa ou termina – ele acontece por meio da vivência com a turma, dia a dia.

Acontece que com a pandemia de Covid-19 e a adoção das aulas remotas, é muito comum que os pais se perguntem se seus filhos terão assistência neste período de aprendizado, mesmo à distância. Para tirar todas as dúvidas e tranquilizar os pais da sua escola, a Editora do Brasil trouxe algumas dicas importantes para você. Confira.

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Esclareça o modelo das aulas

Muitos pais acreditam que, com o avanço da pandemia e o início das aulas remotas, seus filhos passaram a ter um “ensino a distância”, o conhecido EaD. Essa é uma confusão relativamente comum que precisa ser desmistificada. O EaD é uma modalidade inteiramente pensada para ser a distância – todo o planejamento leva isso em consideração. É o caso, por exemplo, de inúmeras universidades que oferecem essa modalidade como opção para o estudante que não consegue se locomover até a unidade presencial.

O que está acontecendo com as escolas é o ensino remoto, que é diferente. No caso, o primeiro passo para os pais entenderem que os filhos em idade de alfabetização e letramento terão, então, uma experiência mais próxima possível do contato diário, com aulas adaptadas que assegurarão o melhor desenvolvimento possível.

Alfabetização e letramento na Educação Infantil: aposte no “presencial à distância”

Muitos professores já perceberam que existe certa perda para as crianças em um ponto muito específico: o convívio em grupo com os colegas. É importante encarar essa realidade, por mais que ela seja controversa, e, a partir daí, criar situações no ensino remoto que busquem sanar essa falta.

Boas abordagens para tentar contornar o melhor possível tal interação entre os pequenos são as aulas são ao vivo, com a câmera aberta, que seguem o padrão presencial – até mesmo com o momento do recreio, onde as crianças podem ter um tempo e conversar entre si”. Essa rotina mais próxima o possível da realidade, ajuda o estudante de alfabetização e letramento na Educação Infantil a manter o máximo possível do convívio social – que, por si só, já é parte fundamental de um ambiente alfabetizador.

Crie um ambiente alfabetizador

Nestes momentos de aulas ao vivo, é muito importante prezar pelo ambiente alfabetizador. Músicas, leituras e até mesmo a chamada compõem a condição de alfabetização e letramento na Educação Infantil.

É preciso investir em vários contextos e possibilidades que conduzam a criança pela saga da alfabetização – que, lembramos, é um processo, e não um conteúdo específico. Esse ambiente, mesmo que remoto, deve ser rico e diverso: o professor pode fazer leituras em voz alta e compartilhada, explorando ilustrações, canções, vídeos, jogos e outros recursos que, ao passo que reforça o vínculo e o senso de coletividade, também constrói um ambiente virtual de alfabetização.

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Mas, como saber se o processo de alfabetização e letramento na Educação Infantil está sendo válido via aulas remotas? Existem algumas possibilidades para nos assegurarmos disso – e a parceria entre escola e família é, talvez, a atitude primordial neste momento de quarentena.

Isso porque quando o professor recebe vídeos, fotos e outros registros do desenvolvimento da criança durante as atividades propostas, é possível acompanhar sua escrita e principalmente sua leitura, avaliando o processo de alfabetização com maior acuidade. Nós já fizemos um texto sobre isso aqui no Blog. Para ler mais, é só clicar aqui.

Pais como coautores

Sobre a parceria entre escola e família, é muito importante que o professor consiga delinear uma linha muito tênue entre todos os agentes que estarão envolvidos na educação dos pequenos.

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Quando damos aulas online, abrimos nossas câmeras e convidamos que nossos alunos façam o mesmo, há, implicitamente, uma complicidade e uma proximidade muito maiores do que na aula presencial. No modelo remoto, o professor está, de certa forma, dentro da casa de cada estudante, e vice e versa.

Assim, é importante fazer com que os pais percebam que, neste momento, eles são mais importantes ainda para a educação dos filhos, e devem atuar como coautores: sob  nenhuma circunstância devemos esperar que a família adote o papel de educador – esse é o nosso papel. Mas, como coautores, devem estar ali para prestar o máximo de apoio, compreensão e amparo, principalmente no momento da alfabetização e letramento na educação infantil.

Entenda a rotina dos pais

A conversa caso a caso é indiscutível. É preciso compreender a rotina dos pais para que a escola trace as melhores estratégias que sejam boas para ambos os lados: tanto para a instituição, que mantém o aluno matriculado, quanto para a família, que tem certeza do desenvolvimento das crianças.

Aqui, uma dica de ouro é gravar as aulas, mesmo que elas sejam originalmente apresentadas ao vivo. Assim, é possível assegurar que toda a sua turma participará dos momentos de aprendizagem, ainda que seja em outros momentos, ou que acumule várias aulas para um mesmo momento.

Essa atitude, por mais óbvia que pareça, é essencial para que a escola demonstre compreensão à realidade de cada família – afinal de contas, cada grupo famíliar enfrenta sua própria crise, assim como as escolas e tantos outros setores da economia. Ademais, a escola de educação infantil é a que mais sofre com a evasão escolar e o rompimento de matrículas durante a crise, seja pela obrigatoriedade apenas a partir dos quatro anos ou pela transferência para escolas públicas.

É preciso, entretanto, que ambos os lados – a educação pública e particular – dêem as mãos neste momento de crise. O alto número de transferências pode, futuramente, causar sobrecarga no ensino infantil público, além de levar várias escolas privadas a fechar suas portas. Assim, olhar para os pais e criar essas estratégias, seja na escola pública ou particular, é essencial para não apenas “segurar o aluno”, mas para assegurar que seu aprendizado será eficaz e com os menores imprevistos no meio do caminho possíveis.

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