Educação para paz: como a escola pode colaborar?

21 de setembro de 2020


Dia 21 de setembro comemora-se o Dia Internacional da Paz. Este ano, a Assembleia Geral da ONU declarou a data como dedicada ao fortalecimento dos ideais de paz, através da observância de 24 horas de não violência e cessar-fogo. O tema escolhido para 2020 foi “Moldar a Paz Juntos” e, considerando a luta contra o novo coronavírus (Covid-19), a organização convidou a todos a se unirem e compartilharem ideias sobre como enfrentar esta tempestade, curar nosso planeta e mudá-lo para melhor. 

Um ingrediente chave na construção de uma cultura de paz é a educação e as escolas, que como agentes de socialização e de valores na formação dos jovens, podem fazer muito pelo fomento da causa.

Por onde começar uma educação para paz?

A prova de que a educação está diretamente ligada com a paz é que a pessoa mais jovem a ser laureada com o Nobel da Paz é uma ativista símbolo da luta de mulheres pelo direito à educação: Malala Yousafzai. “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução.”, diz a jovem. 

A educação para a paz abrange os conceitos-chave de ambos segmentos. Se a educação é definida como um processo de transmissão sistemático e institucionalizado de conhecimentos e habilidades, bem como valores e normas básicas de uma sociedade, o conceito de paz é um pouco mais difuso.

Alguns teóricos definem a paz positiva e negativa. Sendo que a primeira é a ausência de guerra, o que não elimina a predisposição para ela ou a violência estrutural da sociedade. Já a segunda, demanda ajuda mútua, educação e interdependência dos povos. Assim, a paz positiva vem a ser uma forma de prevenção contra a guerra. Ao mesmo tempo, para a construção de uma sociedade melhor, na qual mais pessoas compartilham do espaço social. Por consequência, a educação para a paz se torna uma área interdisciplinar da educação, cujo objetivo é o ensino institucionalizado e não institucionalizado sobre a paz e para a paz.

Por meio dela, os educadores podem ajudar os estudantes a adquirir habilidades para a resolução de conflitos. Podem ainda, reforçar tais habilidades para uma ação ativa e responsável na sociedade. Ao contrário do que possa parecer, a educação para a paz tem uma abordagem mais proativa e busca prevenir os conflitos antecipadamente, ou seja, educar para uma existência pacífica com base na não-violência, tolerância, igualdade, respeito pelas diferenças e justiça social. 

Pluralidade cultural na escola

Desde o início do desenvolvimento do conceito de educação para a paz, muito se discute sobre se ela deve ser trabalhada como um programa separado ou se os seus princípios podem ser aplicados às disciplinas regulares da escola. 

Independente da forma de aplicação, a variedade de abordagens é grande e deve partir da pluralidade cultural de cada escola. É importante, assim, trabalhar a cidadania, a diversidade, a acessibilidade, a democracia e afins.

Em conteúdos de História, em que se tem a oportunidade de falar sobre herança cultural e grupos étnicos, a educação para a paz ganha espaço. Outra forma de abordá-la é internacionalizar o currículo. Incluir, por exemplo, nas aulas de Literatura, contribuições de grupos variados. O mesmo para Arte e Ciências.

Diálogo é base da razão 

O principal objetivo da educação para a paz não é o conflito interpessoal, mas sim o coletivo entre grupos, raças, nações ou Estados. Portanto, a questão deve abordar a mediação entre indivíduos e, da mesma forma, cenários maiores.

Neste quesito, o trabalho com a aprendizagem em grupos é uma excelente metodologia para inseri-la. Aliado ao trabalho com projetos, exercita a teoria e o diálogo com a produção de conhecimento prático. 

É importante notar que os jovens aprendem sobre paz e sobre a necessidade de paz em ambientes fechados. Quando retornam ao dia a dia da sociedade, deparam-se com a injustiça, discriminação e xenofobia na TV e jornais. Muitas vezes, em suas próprias vidas. Portanto, cada ensinamento de uma educação para a paz deve não apenas fortalecer a capacidade desses estudantes para o pensamento crítico, mas também para se posicionarem perante situações como exemplos dessa cultura.

Obras literárias no PNLD 2020