Como despertar a aprendizagem criativa?

13 de novembro de 2020


Falar de aprendizagem criativa esbarra em um montante de mitos e lendas sobre a própria criatividade. No entanto, para promovê-la na sala de aula os professores devem compreender de verdade como ela se origina. Tem gente que acredita que a dominância do cérebro se resume apenas ao uso do lado direito para as pessoas criativas e artísticas e lado esquerdo para as lógicas, adaptáveis e não tão criativas. Mas, a coisa não é tão simples assim. A neurociência cognitiva, aponta que a criatividade não envolve uma única região ou lado do cérebro.

Dependendo do que o indivíduo cria, diferentes partes são acionadas. Por exemplo, se o estudante trabalha em um projeto que envolve linguagem, as áreas responsáveis ​​pela produção da fala e compreensão da linguagem escrita e falada, entram em ação. Não é de se admirar, então, que quando a criatividade está realmente fluindo, há muito foco e energia no processo. Justamente porque todo o cérebro está trabalhando para a concepção daquela atividade.

Mas ser criativo não é, necessariamente, desenvolver aparatos revolucionários ou mirabolantes. Uma ideia diferente, ainda que simples, leva às inovações. Criatividade é ser capaz de fazer conexões entre elementos que já existiam e criar novas associações.

O que isso significa para a aprendizagem criativa

A criatividade envolve pensamento crítico, planejamento e atenção. Crianças e jovens aprendem por meio desse processo à medida que diferentes partes do cérebro entram em ação. Assim, elas podem descobrir algo que nunca souberam antes, aprender como resolver um problema ou descobrir uma nova maneira de ver ou fazer algo. É por isso que dar tempo para se moverem, explorarem e experimentarem em seu ambiente abre oportunidades criativas e de aprendizagem que poderiam se perder quando ficam confinados em um mesmo padrão por muito tempo.

Para alguns especialistas, a criatividade tem a ver com uma atitude estabelecida perante a vida. Ou seja, o indivíduo tem o impulso de criar, consciente ou não, e escolhe o caminho para esse fim. Mas o processo só é completo se houver a interação do cérebro com o ambiente físico, social e cultural. Nessa perspectiva, a escola tem grande poder de ação. Podemos dizer que a criatividade floresce quando há paixão pelo que se faz, e essa paixão só se desenvolve quando há oportunidades para aplicar os talentos.

Como estimular a criatividade na sala de aula?

Assim como um atleta que está em forma tem o tônus ​​muscular capaz de entrar em ação instantaneamente, pessoas que acessam regularmente sua criatividade a fortalecem. A partir disso, o fluxo de inspiração se abre facilmente, naturalmente e frequentemente, permitindo avanços espontâneos. 

Mesmo em um ambiente de sala de aula altamente estruturado, você pode promover a criatividade com as estratégias certas. Fica o encorajamento aos docentes de trazer o exercício diário dessa habilidade, tanto em benefício próprio, renovando as práticas de ensinagem, quanto para o crescimento de seus estudantes.

Listamos aqui algumas dicas para estimular a criatividade na prática docente:

  • Faça perguntas abertas para encorajar a discussão; 
  • Invente formas de mexer o corpo e fazer os estudantes acordarem e se movimentarem utilizando músicas;
  • Conceda tempo para desenho, pintura e outras atividades artísticas; 
  • Utilize a potência do brincar, não apenas para crianças, mas para jovens também;
  • Ofereça oportunidades para explorar interesses individuais;
  • Envolva todos, estimulando a aprendizagem colaborativa;
  • Pratique o pensamento divergente;
  • Ajude os estudantes a fazer conexões;
  • Por fim, que tal brincar de representar de papéis? Seja em um exercício de alteridade ou mesmo em uma atividade com personagens ficcionais ou históricos. 

Aprendizagem criativa é ir sempre além

Não é suficiente dar tarefas tendo em mente os resultados criativos percebidos pelo professor. O mais importante é ensinar os processos de pensamento e as atitudes mentais associados à criatividade, que incluem a exploração de ideias intrinsecamente significativas conforme percebidas pelos estudantes.

A criatividade está no epicentro da exploração e descoberta humana, uma capacidade usada para gerar e comunicar ideias originais de valor. Inspirada por nossos sentidos de visão, audição, paladar, tato e olfato, a criatividade é uma força que nutre o desenvolvimento humano, a inovação e uma apreciação estética do mundo ao nosso redor.

De que outras maneiras você estimula a aprendizagem criativa e as atitudes mentais associadas a ela em sua sala de aula?

Fonte: As Bases Neurocientíficas da Criatividade.

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