Escrever uma boa redação vai além de seguir uma fórmula

24 de junho de 2021


Escrever uma boa redação para os vestibulares e/ou para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) exige o domínio da forma de um texto dissertativo-argumentativo, assim como das competências avaliadas em cada prova, mas não é só isso. Embora esses elementos sejam partes inegociáveis, há pouca ou nenhuma alma nesse processo de replicar uma fórmula. A dissertação costuma ser o estilo de texto mais pedido em vestibulares, mas textos narrativos, descritivos e cartas também são comuns. A prova da Unicamp, por exemplo, cobra uma escrita mais criativa. 

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O quanto seus alunos podem escrever sobre qualquer coisa, em mais de um formato? Como sabem o que dizer? E como resumir quem são e suas habilidades e competências no texto? Se ensinados a iluminarem suas palavras da forma certa, os jovens mostrarão que são mais do que apenas uma transcrição de dados e citações e que têm uma identidade. Dessa forma, a redação nota 1000 será questão de tempo.

O trabalho envolve ensinar as regras e a gramática, mas também guiá-los através do processo de escrita, de uma forma que lhes dê coragem e confiança para escreverem uma boa redação da qual se orgulhem. Como professores, é preciso abordar o escrever para os exames vestibulares com ouvidos empáticos, ouvindo as vozes dos estudantes e ajudando-os a capturar o melhor de quem são e do que aprenderam.

Para escrever uma uma boa redação, basta começar

O pintor russo Wassily Kandinsky dizia que “tudo começa com um ponto”. Muitos estudantes acreditam que precisam ter a ideia perfeita. Assim como a primeira linha mais surpreendente de todas, antes mesmo de colocar a caneta no papel. Lembre-os de que não precisam ter uma grande ideia, eles só precisam do primeiro ponto. É possível ler uma proposta de redação e começar com uma ideia ruim que se tornará boa ao decorrer do desenvolvimento, com uma frase da qual não gostem e por aí vai, mas se começarem, algo de positivo vai sair disso. Principalmente na época de preparo, não há dica para uma boa redação mais poderosa do que ler muito e escrever mais ainda. Errar ou acertar, mas sempre recomeçar.

É claro que não existe fórmula mágica e nem é preciso inspiração divina, mas internalizar o escrever facilita e muito na hora do nervosismo. Uma redação nota 1000 equilibra a técnica e a criatividade: uma dá a forma, coesão, coerência e respeita a estrutura do gênero pedido, evitando penalizações, e a outra traz autoria, pessoalidade, conta a história da linha de raciocínio que levou o vestibulando a concluir esse texto da forma escolhida. 

Em resumo, o texto deve conter:

Introdução: um parágrafo inicial com cerca de dois a  três períodos resumindo a ideia geral do texto. É nele que o estudante apresenta o tema e indícios de seu posicionamento e recorte para ele.

Desenvolvimento: essa é a parte principal da redação, deve ser composta por, em média, dois a quatro parágrafos argumentativos, com ideias convincentes e interligadas. 

Conclusão: Esse parágrafo é o fechamento da redação, que apresenta a proposta de intervenção (quando solicitado). Aqui, é possível fazer um resumo do abordado ao longo do texto. No geral, uma boa redação costuma ter até 30 linhas e, no mínimo, quatro parágrafos bem definidos e sem sentenças longas e confusas. 

Novamente, essa é uma estruturação padrão, mas não obrigatória. Afinal, para despertar a criatividade é importante primeiro dominar a técnica, para que, quando estiver aflorada, o estudante possa ousar com a propriedade de quem sabe exatamente o que está fazendo com seu ponto de vista e criticidade.