Manuel Bandeira e sua Pasárgada

23 de outubro de 2020


Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, conhecido pelos brasileiros como Manuel Bandeira foi professor, poeta, cronista, crítico e historiador literário. Nascido em Recife, em 19 de abril de 1886, ele faleceu no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 1968.

Bandeira criou em um dos seus famosos poemas um eu lírico que deseja “morrer tão completamente / que um dia ao lerem o teu nome num papel / perguntem: “Quem foi?”. Ao poeta, felizmente, não lhe coube essa morte absoluta. Sua trajetória de vida e contribuição para a literatura nacional, ganham uma oportunidade neste mês de outubro de ser celebrada. 

A importância de Manuel Bandeira para a Literatura Brasileira

Aos 18 anos de idade, Manuel Bandeira se descobriu tuberculoso e passou a coabitar com a possibilidade de morrer prematuramente, uma vez que a doença não tinha cura até então. À época, Bandeira estudava Arquitetura, mas sem perspectivas, abandonou o curso e buscou novos ares. 

Foi essa busca que o apresentou personalidades literárias. Ou seja, além de não o matar cedo demais (Bandeira viveu até os 82 anos), trouxe a poesia como profissão. Em suas palavras: “Foi-se-me um dia a saúde… / Fiz-me arquiteto? Não pude! / Sou poeta menor, perdoai!”.

A doença acabou por posicioná-lo exatamente onde deveria estar e também marcou para sempre sua produção literária de “poeta inspirado”, da mesma forma, exerceu um papel de cura dentro da convivência com a possibilidade de deixar de existir.

Além do incontestável talento para a escrita, Manuel Bandeira é um dos referenciais não só da poesia Moderna Brasileira, como do Movimento Modernista como um todo. A partir dele, versos sobre o dia a dia e as preocupações do povo passaram a ser mais presentes na Literatura do país. 

Como trabalhar com o autor em sala?

Assim como o autor utilizou de uma grande gama de assuntos para criar seus poemas, os educadores de variadas disciplinas podem utilizar a vida e obra de Manuel Bandeira como fomento ao desenrolar de uma sala de aula interdisciplinar.

As classes de Língua Portuguesa e Literatura, têm sua utilização de forma clara. Mas além de ensinar sobre quem ele foi, as aulas de Gramática podem abordar sua recusa ao lirismo métrico e estudar como ele compunha os versos. Bem como em Literatura, há a oportunidade de estudar a colocação subjetiva da morte em toda a sua obra. 

Elementos da natureza são muito constantes no que Bandeira escreveu, como o poema “O Rio”, que pode ser abordado em aulas de Geografia. Da mesma maneira, a noção de povo e questões sociais, partindo do texto “O Bicho”.

Em um trabalho em conjunto, os professores de Arte, Biologia e História, podem introduzir o autor e estudar dentro de suas áreas o Movimento Modernista, suas raízes nas vanguardas europeias, aliado a que patamar a ciência da época se encontrava.

Vou-me embora pra Pasárgada

Em 2019, a Editora do Brasil lançou o livro “Minha Pasárgada” em homenagem aos 51 anos de morte de Manuel Bandeira. Nele, a autora Rosinha traz ao público infantojuvenil uma releitura da obra dessa importante figura nacional, por meio de palavras e imagens.

Os versos, passam longe do “lirismo comedido e bem comportado” que Bandeira cita em “Poética” e acompanham as ilustrações em uma dança. “Minha Pasárgada” traz a riqueza de possibilidades textuais e imagéticas, um convite aos leitores de todas as idades para conhecer o universo da poesia.

Rosinha é leitora de Bandeira e, em “Minha Pasárgada”, buscou mapear os caminhos afetivos percorridos pelo poeta ao longo da vida até a sonhada Pasárgada. Inspirados por ela, é possível aos professores oportunidade para os professores proporem em sala de aula, que os estudantes observem seu entorno, seus afetos e criem os próprios textos sobre os lugares que guardam com carinho.

Fonte: Uma leitura interdisciplinar de Manuel Bandeira no Ensino Médio.